entenda o que (não) se passa na região

por Redação 6 Leitura mínima

Reprodução / Record TV – 26.02.2024

Ilha de Marajó voltou a ser assunto nas redes sociais após apresentação de cantora gospel em programa de televisão

A Ilha de Marajó (PA) voltou a ser comentada nas redes sociais após a participação da artista gospel Aymeê Rocha em um reality musical. Na ocasião, ela cantou a música “Evangelho de Fariseus”,  retratando casos de pedofilia, exploração sexual infantil e tráfico de órgãos que aconteceriam na região.
A música logo se tornou um viral na internet e levantou discussões sobre a ilha costeira.

Com a repercussão, um pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as supostas ocorrências foi aberto e, agora, aguarda aprovação do presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas).

O que é a Ilha de Marajó?

A Ilha de Marajó é um arquipélago composto por 16 cidades em sua região, com uma população de cerca de 560 mil habitantes, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O local fica a quase 140 quilômetros de distância de Belém, capital paraense, e é uma região pobre. As principais atividades econômicas estão ligadas aos setores da extração de madeira, açaí, borracha, pesca e à criação de búfalos.

O arquipélago tem mais de 2.500 ilhas e o acesso a elas é feito por barcos. A distância da capital paraense para algumas dessas ilhas, no entanto, chega a ser de um dia inteiro de viagem, por exemplo. Devido à dificuldade de acesso, a população marajoense é extremamente prejudicada pela falta de saúde, educação e infraestrutura.

Bolsonarismo e a Ilha de Marajó

Durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o programa Abrace o Marajó
foi criado por Damares Alves, então ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.
 A iniciativa, porém, foi alvo de críticas da população pelo excesso de medidas assistencialistas, além do investimento em melhorias na região ter diminuído durante o governo Bolsonaro, de acordo com a atual pasta.

Damares já fez discursos sem quaisquer tipos de prova sobre o que aconteceria na região. Em 2022, por exemplo, ela disse ter ouvido relatos de que abusadores quebravam os dentes e davam papinha para as crianças serem abusadas sexualmente.

De fato, existem relatos de casos de abusos na região, entretanto, a região nunca recebeu denúncias relacionadas às situações descritas pela então ministra. Por conta disso,  ela foi multada pelo Ministério Público Federal em ação pública a indenizar os marajoenses em R$ 5 milhões.

Dias depois da música de Aymeê viralizar, ao menos seis políticos bolsonaristas impulsionaram denúncias falsas sobre o Marajó, pagando até R$ 100 para que elas fossem divulgadas nas redes sociais, de acordo com a Agência Pública
. São eles: os deputados federais Luciano Galego (PL- MA), Maurício Neves (PP-SP), o deputado estadual do Pará Coronel Neil (PL), a vereadora de Navegantes (SC) Lú Bittencourt (PL) e os vereadores de São Paulo Reinaldo Digilio (PRB) e Lucas Ferreira (sem partido).

Cemitério clandestino

Além dos abusos sexuais, relatos sobre a existência de um suposto cemitério clandestino que teria em Marajó devido ao alto número de casos de tráfico de órgãos foram disseminados nas redes sociais. O Ministério Público, porém, informou que desconhece casos de tráfico de órgãos na região, assim como o cemitério clandestino. Entretanto, não negaram a existência de abusos: o número de casos do Pará está acima da média nacional, sendo o sétimo estado com mais abusos no país. 

O que é o Observatório do Marajó?

O Observatório do Marajó é uma organização não-governamental que surgiu no início de 2020 para produzir informação técnica e qualificada para que houvesse registro e denúncias de direitos humanos no local, já que, segundo a ONG, a região hoje “vive no centro de disputas entre grupos religiosos neopentecostais, empresários e fazendeiros de monoculturas e clãs familiares da velha política”.

O Observatório divulgou uma nota desmentindo uma série de itens relacionados ao local. Veja abaixo:

Marajó já teve uma CPI

Esta não é a primeira vez que uma CPI seria instaurada para tratar sobre a Ilha de Marajó. Na década de 2000, uma outra comissão parlamentar investigou cerca de 25 mil casos de abuso sexual no Marajó. À época, o relator final calculou que, na realidade, teriam ocorrido cerca de 100 mil casos, devido às subnotificações. 

Na ocasião, esta CPI indiciou mais de 40 pessoas (com poderes políticos e aquisitivos), já que foram descobertos esquemas de exploração sexual infantil. Além do indiciamento, a CPI teve um caráter educativo e foram aplicadas políticas públicas na região para mitigar os casos.

Fonte: Externa

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