Muita polêmica, acusações e ameaças. Esse é o clima que vem obscurecendo o cenário brasileiro nos últimos dias.
Tudo começou quando o magnata Elon Musk voltou a desafiar o Judiciário brasileiro, no fim de semana, com críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e ameaças de que não cumpriria decisões para retirar contas e postagens da rede social X que ameacem a democracia.
A insatisfação do dono do ex-Twitter é em relação à Resolução 23.732, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), publicada em fevereiro.
Essa resolução determina que as plataformas digitais terão responsabilidade se não removerem conteúdo nos “casos de risco”. O foco são as eleições municipais.
Os três poderes se envolveram nas discussões, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandando recado a Musk, sem mencionar o nome do empresário. Lula disse que nesta quarta-feira (10) que, hoje em dia, tem “empresário americano”, “que nunca produziu um pé de capim”, mas “ousa falar mal” do Brasil.
Entenda o caso. E ainda: o que o vácuo decorrente da falta de regulamentação das redes sociais e do uso da inteligência artificial (IA) tem a ver com isso.
Veja também nesta edição:
- Toffoli decide levar a julgamento a ação para responsabilizar as ‘big techs’
- Pressionado, Lira resolve criar grupo de trabalho sobre PL de redes sociais
- Para Pacheco, regulação de mídia social é imprescindível, não é censura
- Google se move em várias frentes: buscas, chips, vídeos com IA e Gemini
- Criador do PDF e líder do Microsoft Garage fala no Brazil Conference em Harvard e MIT
- EUA pisam no acelerador na corrida dos chips, mas a China reage
- Intel, Samsung, TSMC, todas querem sair na frente com semicondutores de IA
- IA que raciocina e planeja está logo ali
- Avatares são baseados em psicanálise e neurociência
- Apple desiste do carro elétrico para se concentrar em celulares e demite 600
Acomode-se e vamos juntos às atualizações!
Entenda por que Musk desafia o STF e os desdobramentos da briga
O que está em jogo é principalmente poder e lucro. Cada vez que alguém cutuca as “big techs” é como se empurrasse uma pedra de uma sequência de dominó. O impacto vai se propagando em cascata.
Cientistas, especialistas, executivos, associações representativas de empresas, enfim, grande parte da sociedade brasileira têm cobrado do Legislativo a aprovação de regras para as redes sociais e para o uso da IA.
Nada teve efeito até agora.
A disseminação de fake news, desinformação, manipulação de imagens e voz seguem sem controle.
Cenário caótico e ‘diversão’, como isso pode ser?
É nesse cenário caótico que Elon Musk, dono da rede social X, se sente à vontade para dizer que não respeitará as decisões do Supremo Tribunal Federal.
A exigência do STF é para retirar do ar conteúdo que ofereçam risco às eleições municipais deste ano.
Mas, para o magnata, controvérsias como as que deflagrou envolvendo o STF e o TSE às vezes são até “divertidas” e às vezes “estressantes”.
Musk não se incomoda se sua plataforma é um veículo para trafegar desinformação e fake news, munições que tentam abalar a democracia. Isso não o abala nem um pouco. O que o atrai é o poder de mover os peões no tabuleiro e buscar a vitória em seus pleitos. Com isso, os recursos fluem naturalmente.
Os jornalistas do Valor vêm apurando os diversos ângulos da história; como tudo começou, o que está por trás do embate, qual é o papel do Senado e da Câmara, entre outras questões.
Afinal, teremos regulamento sobre esses temas? Acompanhe o que diz o presidente da Câmara Federal, Arthur Lira (PP-AL). Após ser muito cobrado por um posicionamento, já que o projeto das redes sociais está parado na Câmara, depois de ter sido votado no Senado.
Lira disse nesta terça-feira que criou um grupo de trabalho para elaborar novo projeto de lei, ou seja, recomeçar tudo. O que se costumava dizer é que se você não quer que um assunto avance, crie um grupo de trabalho. Vamos acompanhar.
Musk pressiona o Judiciário, insufla a direita, que faz oposição a Moraes, e até ameaça fechar o escritório da X no Brasil para pressionar o STF.
O bilionário fez advertência semelhante na Europa e, obviamente, não foi ouvido. Ele não só continuou naquele continente, como também passou a respeitar as normas do bloco.
Na China, onde sua fábrica Tesla produziu 771.447 veículos elétricos em janeiro, Musk não demonstra atitude desafiante, ao contrário. O mercado chinês, que mantém regras restritas e controle da internet, vendeu um total de 684 mil carros elétricos e híbridos em janeiro. Todas as vendas recuaram frente a dezembro, mas a Tesla teve o melhor desempenho comparada aos concorrentes.
Regulação não é censura. O presidente do Senado explica a norma
O presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), destacou que a responsabilidade do Legislativo é “disciplinar redes sociais e inteligência artificial para conciliar liberdade de expressão com direito de expressão”.
Estamos em um campo sem lei [nas redes sociais] que permite vale tudo
— Rodrigo Pacheco
Regulação de mídias sociais é inevitável, e “não é censura”, defende o presidente do Senado. Acompanhe a reportagem.
Mexeu com um, mexeu com todos
Ao atacar Alexandre de Moraes, talvez o dono da rede social X não esperasse que todo o corpo de ministros do STF se unisse em apoio ao colega.
Além disso, os ministros Dias Toffoli e Luiz Fux acenaram com a possibilidade de retomar o julgamento de duas ações que questionam o Marco Civil da Internet.
Verifique os detalhes na reportagem de Luísa Martins.
Na Brazil Conference, regulação para uso seguro da IA
A repórter do Valor, Stella Fontes, nos conta, diretamente de Cambridge, nos Estados Unidos, o que pensa Mike Pell, criador do PDF e do Acrobat da Adobe e líder da Microsoft Garage.
Para Pell, a regulação e verificação é que vão garantir uso seguro da IA.
Confira a estratégia do Google em várias frentes
Você tem acompanhado os movimentos do Google?
Pois é, esse gigante de tecnologia está atirando para todos os lados.
Nas buscas com o uso de inteligência artificial, o Google acendeu uma polêmica com a notícia de que planeja passar a cobrar por esse serviço.
Em outra frente, o Google vai reforçar sua produção de chips próprios. Em relação ao mercado de chips, entenda como a competição geopolítica vem se desenvolvendo na reportagem de Cynthia Malta e Daniela Braun.
Por fim, o Google anunciou o lançamento de uma ferramenta para criar vídeos com IA. Siga as pegadas da “big tech”.
Você pode ver ainda a equipe de avatares da Minddhi, que atuam como personal trainers de usuários, e como a Lexter.AI atraiu a Alexia Ventures para dar suporte a advogados.
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